O CASAMENTO MÍSTICO DO SOL E DA LUA

Segundo as tradições orientais, o Sol representa o princípio masculino, enquanto a Lua representa o princípio feminino, ou noutra linguagem, o Sol representa o Espírito enquanto a Lua representa a Alma.
Espírito enquanto centelha divina, aquilo que em nós permanece verdadeiramente imortal dentro de nós. É percepcionado como algo “acima”, como o pico de uma montanha, de modo que trilhar o caminho “espiritual” possa ser visto como uma ascensão às alturas, como escalar uma montanha. O Espírito torna-nos contemplativos e despreocupados com as coisas terrenas e materiais; também nos pode tornar extremamente desligados, ao ponto de nos alhearmos das necessidades “deste mundo”. Os símbolos primários do princípio masculino são o ouro e o Sol.

A Alma, por outro lado, é algo profundo, e nesse sentido fica abaixo de nós em vez de acima. Se o Espírito é o pico de uma montanha, a Alma é um vale – macio e úmido, repleto de correntes de água, calmante com as suas árvores verdes. A Alma mantém a ligação com a Terra, mantém-nos ligados e unidos às pessoas, lugares e coisas através dos laços do amor. Os símbolos primários do princípio feminino são a prata e a Lua.

Embora ambos os princípios sejam essenciais à vida, um não deve predominar à custa do outro. O Espírito em demasia pode fazer-nos arder como fogo que é, em última análise, um fogo frio pois arrefece o nosso interesse pela humanidade e pela Terra. Por outro lado, a Alma em demasia deixa-nos atolados no pântano das mudanças de humor e das emoções alteradas, tornando-nos incapazes de agir com discernimento ou tomar decisões firmes.
O equilíbrio definitivo das polaridades é visto como um casamento. O casamento místico entre o Sol (Surya) e a Lua (Chandra).

No Yoga percepcionamos dois nadis ou canais energéticos que sobem ao longo do eixo da coluna vertebral, entrelaçando-se junto aos chakras. Estes dois nadis são percebidos como masculino e feminino e, portanto, como solar e lunar. À medida que o yogui ou a yoguini medita e pratica técnicas de respiração (Pranayama), a sua energia vital sobe por estes dois canais, passando pelos sete chakras. No Ajna chakra, o “terceiro olho”, os dois nadis fundem-se num só e o yogui foge da dualidade, tornando-se um ser unificado. Este é o casamento místico que gera a abertura do lótus das mil pétalas –Sahasrara – o chakra da coroa.


Anuloma Viloma (Respiração por Narinas Alternadas)

Este exercício estabelece um equilíbrio entre os hemisférios direito e esquerdo do cérebro, produzindo uma maravilhosa sensação de serenidade.
Senta-te numa posição confortável, com as mãos repousando no colo. Fecha os dedos indicador e médio da mão direita deixando os outros esticados. Leva a mão ao nariz, coloca o polegar direito sobre a narina direita para a fechar e inspira suavemente pela narina esquerda. Depois fecha a narina esquerda com o dedo anelar, levanta o polegar e expira pela narina direita. Não é necessário aplicar pressão no nariz, basta um leve toque.

Com a narina esquerda fechada, inspira pela narina direita e retoma o ciclo: fecha a direita e expira pela esquerda, inspira pela mesma narina (esquerda) e expira pela direita, inspira pela direita, fecha e expira pela esquerda…

O ritmo é sempre esquerda, direita, direita, esquerda. Isto completa um ciclo de Anuloma Viloma. Durante todo o tempo, mantém o cotovelo direito erguido e afastado da caixa torácica e os ombros relaxados, sem tensão.
Faz 12 ciclos de respiração e depois relaxa por uns momentos, de olhos fechados, para que o corpo retome o ritmo respiratório normal. Se quiseres podes adicionar uma retenção de ar entre a inspiração e a expiração. Inspiras em 4 tempos – reténs por 12 tempos e expiras por 8 tempos.

Vais-te sentir muito leve e lúcido(a)